segunda-feira, 11 de novembro de 2013

13-O último caso


Amanda acordou cedo como de costume. Fez seu café da manhã: café preto, quase sem açúcar e um pedaço de bolo. Logo após a refeição se ajeitou para ir trabalhar. Seu trabalho era uma das coisas mais importantes da sua vida, ficava triste de pensar que em pouco tempo iria se aposentar.Ela era tenente da delegacia, e cuidava da parte de homicídios. Quase todos seus casos foram concluídos , sempre conseguia pegar o culpado e mandá-lo para a cadeia. 
       Ela vive sozinha em seu apartamento, pois seu marido a largou quando tinha trinta e sete anos e Júlia, sua única filha, foi morar com as amigas, dividindo as despesas. E por isso não quer se aposentar, não teria companhia para sair ou mesmo para ficar em casa sem fazer nada.Chegando à delegacia, foi até sua sala, e se sentou. Ficou pensando se seu ultimo caso seria muito complicado e se lembrou do caso mais complicado que já teve. Um homem de trinta anos, baleado em uma rua movimentada. Ao chegar à cena do crime, a perícia já estava analisando o corpo e acharam uma digital que não correspondia a do homem morto.
        E os policiais começaram a fazer perguntas para as pessoas daquela rua e Amanda viu um homem meio nervoso, como se algo tivesse dado errado. Quando foi interrogá-lo ele tirou do bolso um revólver e disparou contra a tenente. Como ela passava a maioria do tempo em sua sala estava sem o colete aprova de balas e a bala atingiu seu braço, deixando uma horrível cicatriz.Enquanto estava perdido dentro da sua imaginação seu telefone começou a tocar. Mandaram uma mensagem com o local de um assassinato e Amanda levantou-se rapidamente para chegar neste lugar.
        Ao chegar viu, na calçada , uma mulher branca, em torno dos vinte e cinco anos ,de cabelos negros, magra, de olhos castanhos. Chegando mais perto viu que seu corpo estava esquartejado mas o assassino colocou-o como se nada tivesse acontecido, como se não tive tido seu corpo cortado em pedacinhos.
       - Tenente, que bom que você chegou! O senhor da casa ao lado foi quem ligou para a delegacia quando viu o corpo- Disse o Carlos, uns dos policias que a Amanda mais confiava e tinha afinidade
         - Foi a perícia que ajeitou o corpo?
         - Não, quando chegamos já estava assim. Acho que foi o próprio assassino que fez isso. A perícia já esta investigando, mas infelizmente não há digitais, apenas da vítima
         - E quem é a vítima?
         - É uma mulher chamada Bianca, tem vinte e quatro anos, e desapareceu ha três dias atrás quando voltava do trabalho.
          Amanda estava chocada. Nunca tinha visto um crime com tamanha brutalidade. Quando olhou para a menina novamente percebeu que ela estava vestida com um vestido florido e em seu pulso havia três pulseiras, e uma delas era de ouro, sua bolsa estava ao lado do seu corpo e pelo volume dela suas coisas não foram roubadas.
       -Carlos, todos os pertences dela estão ai?
       - Sim, ela não foi roubada e a família disse que quem a sequestrou não ligou falando sobre o resgate.
       - Se não foi por este motivo, qual outro poderia ser?- Disse Amanda, deixando a pergunta no ar.
       Voltando para a delegacia, a tenente marcou uma reunião imediatamente. Todos compareceram e começaram a discutir:
       - A família desta mulher diz que ela não tem nenhum inimigo
       -Pelos respingos de sangue, ela não morreu ali, depois de morta ela foi levada para aquele local- Disse Fernando, o especialista em sangue
      - Não há hematomas ou sinais de luta no corpo dela.
      - Falando nisto, encontramos uma picada no pescoço dela, antes do corte e descobrimos que era um tranquilizante de animais, que foi usado para desmaiá-la. Podemos achar um suspeito com isso- Disse a Carol, 
chefe da perícia.
        - Então eu quero policiais interrogando a família e os amigos desta menina, e também procurando suspeitos pelo tranquilizante, quem comprou, mesmo que seja um veterinário.- Disse a tenente, terminando a reunião.
       Depois do expediente, Amanda voltou para casa, ainda espantada pelo assassinato. Ela já tinha visto muitas cenas com muito mais sangue que esta, mas pela brutalidade e a frieza do assassino, ela ficou chocada. 
         Passou uma semana e não acharam nenhuma pista de um assassino, o caso não ia para frente. Sem mais esperanças, Amanda se sentou e suspirou. Neste exato momento seu celular tocou, havia chegado outra mensagem. Depois do caso da mulher esquartejada, houve apenas mais dois: um suicídio e um assassinato seguido de um suicídio, por causa de uma traição.
       Ela foi até o local que estava escrito na mensagem, e chegando lá, se espantou. Uma mulher com as mesmas características da Bianca, a menina esquartejada, e o modo da morte também era mesmo: esquartejada e os pedaços montados como se nada tivesse acontecido, mas desta vez o assassino fez com que ela ficasse sentada em uma cadeira, presa com pregos e linhas de costura.
         A brutalidade nas mortes estava piorando, o que deixava Amanda mais desesperada, pois ele não deixava pistas e ela não sabia mais o que fazer. 
       - Igual à última vez, ele não deixou pista ou digitais, e tem a mesma picada no pescoço, desconfiamos que seja o tranquilizante . E o Fernando disse que ela já veio presa nesta cadeira, pois há pouco sangue neste local.
        -Carlos, você já falou com os moradores desta rua? Alguém sabe de alguma coisa?
        - Já interrogamos a maioria, mas esta rua é pouco movimentada e apenas um disse que viu um carro parando e deixando algo na calçada, mas como estava escuro, não percebeu que era uma pessoa.
        - E quem chamou a policia ?
        - Uma mulher que estava caminhando por aqui. Já a interrogamos ela, mas ela não conhece a vitima e não mora nesta rua, mora em uma rua paralela a esta.
         - O que sabemos sobre a vitima?
         - O nome dela é Lorena e também tem vinte e quatro anos e fisicamente , é igual à outra vitima, a Bianca. Podem até ser confundidas como irmãs.
         -Mas elas se conhecem?
         - Não, uma morava muito longe da outra. Desconfiamos que seja o mesmo assassino e ele só mata mulheres iguais a essas. A Lorena desapareceu ha cinco dias atrás, quando voltava de uma viajem que fez sozinha.
      Abalada, Amanda voltou para casa, pois mesmo que fosse para a delegacia, não conseguiria trabalhar naquele estado. Quando já era tarde, pouco antes do jantar de Amanda, Júlia foi até lá, visitar a mãe
         -Oi, mãe! Que saudade!
         -Oi- disse a tenente, cabisbaixa
         - Você esta bem? Parece estar triste
         - Estou, é que tem um caso lá na delegacia que eu não consigo achar o culpado
         - Qual caso? O do esquartejador ?
         - É assim que o chamam nos jornais? Bem, é ele mesmo. A segunda vitima dele foi mais brutal que a primeira.
         - Sabe o que eu também percebi quando vi o jornal hoje à tarde? Elas se parecem muito comigo, tem até a mesma idade.
         Neste momento Amanda percebeu o quanto Júlia estava certa, e começou a se preocupar. Júlia era igual às vitimas do assassino. Todas tinham a pele branca, cabelo escuro, magras e com olhos castanhos. E o medo ficou maior por Amanda ser a tenente, e se ele quisesse "brincar"? Não seria legal deixar a vida de sua única filha nas mãos de um maníaco psicopata.
          - Filha, você poderia morar aqui comigo por uns tempos? Só até eu pegar esse cara.
          - Só porque eu pareço com as vitimas não significa que ele vai me matar, mãe, relaxa.
          - Por favor, ele escolhe as vitimas pela aparência e a idade. Ele é louco, um sociopata e você é perfeita para ele. Você se encaixa no perfil das mulheres que ele mata. 
   Depois de um tempo de discussão a filha cedeu e a mudança de Júlia para casa da tenente foi feita, deixando-a mais tranquila pois sabia que sua filha estava segura em casa. Quatro dias se passaram depois do assassinato de Lorena e os dias na delegacia estavam calmos. 
        - Tenente, uma mulher que diz ser vitima do esquartejador esta no hospital, e eu vou interrogá-la. Você quer ir junto? Você parece estar tão envolvida no caso.
        - Sim, eu vou com você
        No caminho do hospital, os dois ficaram quietos, pensando se esse psicopata atacaria de novo. Depois de alguns minutos, chegaram ao hospital e subiram até o quarto da Rafaela, a suposta vitima do esquartejador. Ao entrarem no quarto perceberam que a aparência dela era igual das duas ultima vitimas.Depois de alguns minutos de uma conversa tranquila, a interrogação começou:
       - Mas o que te faz pensar que foi ele?- perguntou Carlos.
       - Eu estava indo para casa de uma amiga, a pé. Quando, de repente me vi dentro de um porta-malas. Então comecei a gritar, espernear, e o carro encostou. Quando o porta-malas foi aberto, um homem grande me levantou, mas como ele era muito forte e gritou para eu calar a boca. Assustada, eu obedeci e ele me jogou no porta-malas de novo, mas eu bati o braço e fez um corte, nada muito grave.- Ela parou um pouco de falar, esta traumatizada e falar sobre aquilo não era tão simples, era como reviver tudo aquilo dentro da imaginação.
        A tenente pediu que ela mostrasse o machucado, e quando viu percebeu que era mesmo um machucado pequeno, insignificante. E Rafaela continuou:
       - Quando ele viu aquele corte, ficou desesperado, e começou a gritar coisas como "você não esta perfeita" ou "você arruinou tudo". E ele me jogou na praça, perto desse hospital.
         Pela picada no pescoço que vez com que ela desmaiasse e a aparência, não restava duvidas, ela era a próxima vitima. Mas foi salva por um corte no braço esquerdo. Logo, Amanda perguntou:
        - Como ele é? Tem alguma característica marcante?
        - Não sei, não consegui ver. Esta escuro e eu estava meio tonta. 
          Na volta da delegacia, outra noticia boa. Investigaram todos os veterinários que haviam comprado o tranquilizante de animais nos meses passados e encontraram um homem um tanto quanto esquisito
          Se chamava Eduardo Mesquita, e aos sete anos, ele e sua irmã de cinco anos,mataram a mãe a facadas. Foram internados e diagnosticados com transtorno de personalidade antissocial, vulgarmente chamado de psicopatia ou sociopatia. Como nunca conheceram o pai,e a mãe era prostituta eles tiveram uma infância muito infeliz que causou uma depressão tão horrível nos irmãos que, juntos tentaram suicídio três vezes.
           Nas conversas com a psiquiatra, eles também revelaram que matam constantemente os animais da vizinhança, e decidiram que iriam matar a mãe depois das tentativas falhas de suicídio. Como a psicopatia é caracterizada por ausência de empatia, Eduardo matou a irmã esquartejada, depois de um ano internado. Como era muito manipulador conseguia convencer os enfermeiros de que ele estava bem e depois de alguns anos, com dezesseis foi liberado, mas teria que ir ver a psiquiatra todo dia. Depois de uns tempos ele começou a faltar até que não apareceu mais nas consultas e como havia muitas pessoas que também precisavam desta consulta, eles não se preocuparam e deixaram o Eduardo em paz. 
         Amanda estava muito feliz pois finalmente tinha conseguido uma pista neste caso, seu ultimo caso para conseguir se aposentar. Decidiu que no dia seguinte a primeira coisa que iria fazer era procurar ele e interrogá-lo. Voltando para casa, ela viu que a porta estava aberta. Quando entrou viu que a casa estava de cabeça para baixo, tudo jogado no chão. Foi até os quartos procurar Júlia e percebeu que os quartos estavam arrumados. Começou a ficar assustada e ligou para policia para falar que sua filha havia desaparecido.Logo depois, ligou muitas e muitas vezes para o celular de Júlia mas ela não atendia.

         As coisas que passavam pela sua cabeça eram terríveis, e não queria ficar ali parada, só esperando alguma noticia, seja ela boa ou ruim. Resolveu que iria até a delegacia, ver o local onde Eduardo morava, pois, se na pior das hipóteses, ele havia sequestrado ela, Amanda sabia que Júlia não tinha muito tempo. Chegando na delegacia, subiu correndo para sua sala e foi ver os arquivos. Desesperada, jogava-os no chão para achar logo o que tinha o diagnóstico de Eduardo, pois sabia que lá também tinha seu endereço.
          Quando finalmente achou, só teve tempo para colocar o colete aprova de balas e saiu correndo até seu carro. Amanda corta o caminho, desviava do trânsito, passava da velocidade permitida, mas a rua da casa do Eduardo parecia não chegar. Então encontrou a casa, o numero , duzentos e vinte , era o mesmo que estava no arquivo. A rua era escura, quase não tinha luz, e como já era um da manhã, o clima ficava mais tenso e o lugar mais escuro.
          Amanda entrou quase sem fazer barulho, passou pela garagem,e já tirou a arma do bolso, esperando o pior. Conforme ela entrava na casa, seu coração batia mais forte, suava frio,sua respiração mais pesada. A casa era grande e a tenente não sabia o que fazer. Não podia ligar a luz, pois chamaria a atenção do assassino, e se andasse naquela sala escura faria algum barulho. Então ela ouviu um sussurro, vindo de uma porta, conforme ia chegando mais perto do lugar mais ela escutava esse sussurro tenebroso.
          Ao tentar abrir a porta ela fez um ruído, que fez com que os sussurros parassem. E ouviu passos, lentos e pesados, como se subissem uma escada. A luz foi ligada e ao lado do interruptor, um homem grande, forte, de cabelos negros e curtos,olhos pequeninos,nariz pontudo, com um jaleco branco e luvas de plástico,daquelas que não deixa nenhuma impressão digital. Ele estava com um sorriso malicioso no rosto, e devagar, ia se aproximando da tenente. Percebendo o perigo, ela apontou a arma para o rosto do assassino, mas em um movimento rápido ele a enforcou e segurou seu braço, apontado a arma para o chão.
          Ainda sufocando-a, desceu as escadas e fez com que a tenente descesse também. Moveu o rosto dela em direção a sua filha, mas ainda mantendo-a de uma maneira que ela não conseguisse se mover. Júlia estava nua, mas a fita silver tape cobria seu corpo e também sua boca. Ela chorava pois tinha medo do que Eduardo poderia fazer. Ele parecia estar alegre com esta cena e comenta:
          -Eu adoro quando elas choram.- Com o mesmo braço que enforcava a tenente, ele colocou a mão em sua boca, para não deixá-la falar- Essa é a primeira vez que tenho platéia, mas acho que você vai adorar meu show.
           Eduardo a soltou e rapidamente pegou sua arma e trancou a porta, fazendo com que ela não pudesse fugir. O quarto em que estavam era pequeno, o chão estava somente no contrapiso ,as paredes não estavam pintadas, ha não ser de sangue das outras vitimas. O cheiro era horrível, era uma mistura de sangue com vomito. No centro havia uma mesa de ferro, que Júlia estava deitada e amarrada em cima. Ao lado tinha também uma mesa pequena, e em cima havia uma coleção de facas,cada uma com uma diferente função.
          -Gosto de começar sempre pelas pernas , depois os braço, e , por fim, corto a cabeça.
          Amanda estava aterrorizada, mas tinha que pensar rápido no que fazer, pois a vida da sua filha estava em risco. E em um movimento muito rápido a tenente pegou um das facas e enfiou na perna esquerda de sua filha. A expressão do Eduardo mudou, agora ele estava com raiva:
          - Você a arruinou! Como pode? Estava tudo perfeito! Ela era perfeita! Você a destruiu!-Ele estava descontrolado, gritava , atacava coisa em direção da tenente.
           Por sorte a arma que estava em seu bolso caiu, e a Amanda pegou-a e atirou no pé e no braço do psicopata.Enquanto ele se contorcia de dor, ela foi tentar ajudar a filha a se soltar,e aproveitou o momento para ligar para a delegacia. Depois da ligação , Amanda soltou Julia e ajudou ela a subir a escada, enquanto Eduardo estava no chão, por causa da dor que sentia. A tenente pegou a chave que estava no chão e abriu a porta. Trancou Eduardo naquele quartinho e logo, a policia chegou.
           No dia seguinte, Julia estava no hospital ,cuidando do ferimento na perna, enquanto Amanda fechava seu ultimo caso. Diferente de antes , agora Amanda queria se aposentar, mesmo que ela ficasse o dia todo sem fazer nada, pois agora sabia que um dos assassinos mais perigosos esta atrás das grades.

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