À luz clara e branca da lua, Liz observava o único feixe que
ousava entrar pela janela de seu apartamento. Era por volta de três da manhã e
ela nem se quer escreveu uma só frase em teu caderno cheio de prosas e
citações. Algo naquela estranha e pequena claridade a chamou a atenção. Devia
ser pelo motivo no qual se assemelha a mesma. Clara, sem medo de tentar e
subestimada. Digo, a luz poderia
simplesmente ter se perdido em meio à cortina, mas não, ela passou pelo único
espaço no qual era possível.
Apertou os lábios finos e rosados e logo tentou escrever.
Havia muito pela frente, já que ela queria terminar o livro em apenas quatro
meses. Aquele único feixe de luz, ainda roubava-lhe a atenção. Liz
levantou e ousou-se abrir a janela, então ficou olhando por intermináveis
minutos o céu. Mas ora, quem agora olha o céu? Mesmo que com poucas nuvens, era
possível ver a lua e os pequenos brilhos radiantes denominados estrelas.
Mas diga-me, como alguém pode não reparar não céu? Teu
brilho e encanto são capazes de iluminar tal coração que jamais ousariam
chorar. E Liz conseguia perceber os detalhes que fazem algo tão simples,
extraordinário. Esse era seu dom, ver o lado bom das coisas, por mais terríveis
que fossem.
Na manhã seguinte, observou com um casal de idosos. No qual,
se encantou logo de primeira. Ela, de vestido delicadinho e florido. E ele com uma calça social marrom e uma
camiseta polo creme. Teus olhos brilhavam – tanto os do casal, quanto os de
Liz. A senhora sorriu para Liz, que logo sorriu de volta. Andou em direção uma cafeteria e lá encontraria com o motivo
de teu coração sapatear. Ao chegar, pediu seu frappé e um bolinho de chocolate.
E se sentou na mesma mesa no qual marcaram.
Logo após uns dez minutos, um rapaz de ombros largos e cabelos castanhos
coloca-se ao lado da moça Liz, cujo cabelo escuro curto se encontrava em uma
desarmonia perfeita.
- Perdão a demora, meu bem – anunciou o moço.
- Sem problemas, querido – disse sorrindo.
O tempo não ousou seguir o ritmo da moça, ao se dar conta,
já estava embrulhada num cobertor e com o seu caderno a mão. Escreveu um
parágrafo e de repente, sentiu aquela terrível dor que vinha a acompanhando há
dias. Ignorou-a. Pela manhã indo em direção a confeitaria, avistou novamente
o belo casal de velhinhos. Eles passaram, a senhora sorriu, e Liz sorriu de
volta. Por fim, comprou um bolo de laranja, o preferido de Pierrot.
Seu amor não tardou a passar, foi busca-la e então passaram
no parque. Andando em meio as arvores, que por acaso estavam com lindas flores
brancas. Estenderam uma pano e se sentaram. A moça permaneceu calada, ela que
não parava quieta, inquietou-se.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntou assustado ao perceber
que Liz pressionava o peito.
- Ah – suspirou ela- é apenas aquela dorzinha, logo passa. – deu um sorriso não muito convincente.
- Deveria ver o que está acontecendo- disse Pierrot enquanto
cortava um pedaço de bolo.
- Não é nada de se preocupar, querido, no fim tudo da certo,
não é?- disse Liz, enquanto observava o campo coberto de flores.
Pierrot observou-a, “ah”, pensou, “como ela é bonita”. A
moça dos cabelos curtos e escuros, sorriso largo e pele clara, realmente, ela
era muito bonita. Pierrot adorava quando ela colocava o seu vestido rendado
creme, ela estava mesmo usando. Liz notou que seu amor estava a olhando e
sorriu envergonhada. Suas bochechas ficavam levemente rosadas e encantadoras.
Liz era, de fato, um amor.
- Querida... – a frase do moço foi interrompida por um
gemido de dor vindo de sua companheira - Liz? Está tudo bem? – Liz desmaia no
colo dele, que desesperado chama uma ambulância. Liz vê alguns vultos, que no
caso, seria os paramédicos.
Ao acordar, se vê deitada em uma cama de hospital com um tubo
de oxigênio. Logo chega uma enfermeira.
- Olá, senhorita Grace. – diz a moça sorridente.
- Ah, oi – disse Liz um tanto quanto confusa.
- Pois bem, senhorita Grace, serei sua enfermeira, meu nome
é Tifany e pode me chamar sempre que se sentir desconfortável.
- Está bem, Tifany – Liz disse, tentando sorrir – Mas então,
o que aconteceu comigo?
- Senhorita Grace, acho melhor você conversar direitinho
sobre isso com o seu médico, irei chama-lo, um segundo. – disse a moça de roupa
branca e cabelos loiros.
Liz observava atentamente cada detalhe daquele quarto de
hospital e tentava, por mais difícil que era, ver o lado bom daquela situação.
Ao se dar conta, um homem alto e moreno entrou no quarto e sorriu.
- Olá, Liz.
- Oi, senhor?...
- Sou o August, seu doutor – dizia o homem, sempre sorrindo.
-Ah sim, olá.
- Bom, Liz... A três dias você teve um recaída, certo?
- Certo – “três dias? ?” pensava Liz inconformada.
- Isso aconteceu por motivos de... – August deu uma pausa e
suspirou – Liz, não sei qual forma de te contar isso, mas bem, você está com um
câncer.
O brilho dos teus olhos se perdeu em meio ao verde da sua
íris. O teu sorriso foi desfeito e Liz desabou. Rios formaram em teus olhos e
ela tentou permanecer forte. Tentativa inválida. Fracasso. Ao perceber, estava
soluçando enquanto August explicava o quão agravado já estava e que provavelmente
não haveria solução. Liz poderia parar de respirar de uma hora para outra. O
doutor saiu e Liz deitou-se, escondeu-se em meio aos cobertores. Adormeceu.
Logo apareceu sua mãe e Pierrot.
- Querida! – disse Annabeth, sua mãe.
- Oi mãe – tirou a cabeça de baixo do cobertor.
- Não se perca na dor, minha florzinha... – mas Liz não
respondeu – vamos superar isso.
- Mãe, não adianta, está tudo bem, eu estou morrendo. Não
precisa me enganar, eu sei que eu estou.
- Querida! Aonde está aquela adorável moça cujo pensava
apenas positivo? Aonde ela se perdeu? Aloooo, Liz? Você está ai? – disse a mãe
sorrindo, mas Liz não demonstrou nenhuma alegria, nem se quer olhava para a
mãe. Seu olhar estava perdido.
- Meu amor – disse Pierrot. – Está tudo bem...
- Não! Não está! Eu vou morrer! Isso não é bom! Eu não fiz
nem metade dos meus desejos!
- E quais são? – Disse Anna desviando o assunto.
- O meu livro, meu casamento, ir a praia, a museus, fazer
uma pintura em todas as paredes de um quarto branco... – Liz deixou uma lágrima
escapar e sorriu ao pensar em como seria divertido essas cenas.
- Sem problemas, faremos isso, vamos realiza-los... Digo, o
que der. – disse sua mãe, animada.
Após dois dias, Liz teve alta e logo foi para casa de sua
mãe. Pierrot dirigia o carro e elas conversavam. O carro parou em frente a uma
casa no modelo antigo muito agradável. Liz saiu do carro com ajuda de sua mãe e
andaram até a varanda.
- Pegarei minha bolsa, vamos ao museu e depois comprar
algumas tintas, o.k? – disse Anna
olhando a Pierrot, que logo fez sinal positivo com a cabeça.
Quando Anna voltou, após uns cinco minutos, eles foram
direto ao único museu que Liz não tinha ido, e era incrível. Liz chegou a
sorrir durante o passeio, quando Pierrot tentava ser engraçado, mas bem... Não
conseguia. Liz fotografava cada momento com sua máquina antiga, a única que sua
mãe encontrou na casa dela, as fotos saíam incríveis...
- Bom – disse Anna depois de andarem os pontos principais do
museu- Vamos comprar sua tinta, querida?
Liz fez que sim com a cabeça. Entraram no carro e foram a
loja de tintas. Onde Liz escolheu as cores mais vivas.
- É para libertar minha alma. – e essa foi uma das únicas
frases que Liz disse no dia.
Voltaram para casa e Anna fez questão que Pierrot dormisse
com elas. Ele concordou depois de muita conversa. Liz chegou a sorrir, mas não aquele sorriso de antes, um sorriso
triste. Havia tristeza em seu sorriso...
Pela manhã, Liz acordou por volta das sete e logo se meteu
dentro de um quarto cuja as paredes estavam desbotadas, “não é branco mas
serve” pensou ela. E começou a pintar, pintar várias flores, pintar folhas,
pintar luzes, pintar estrelas...
Quando sua mãe acordou, fez um café e um bolo de chocolate
(o preferido de Liz), e levou para ela comer. Mas para a surpresa de Anna, Liz
recusou.
- Vou comer mais tarde, mãe, obrigada – dizia Liz sempre que
serviam alguma coisa.
Ela ficou até as três da tarde sem comer. Então por fim,
pegou um pedaço de bolo e um gole de café.
Liz passou dias dentro daquele quarto, o que fez por ora
Pierrot e Anna se preocuparem, mas ficavam feliz por vê-la fazendo alguma coisa
ao invés de entrar em um estado vegetativo.
Depois de uns cinco dias, Liz saiu orgulhosa de seu
trabalho. Anna e Pierrot foram ver assim que a moça deu a notícia. Era lindo,
flores coloridas pelos campos e um entardecer maravilhoso. Liz tinha esse dom,
ah, Liz era maravilhosa. Liz não sabia lidar com a dor.
- Querida, se arrume, vamos sair – disse a mãe toda
sorridente.
Liz fez isso, se arrumou e logo depois saíram em direção a
sua praia favorita. Ao chegar na casa antiga de praia, os funcionários a
receberam muito bem. Tudo estava impecável.
Elas deram uma caminhada pela areia e logo sua mãe disse.
- Querida, venha.
- Para onde?
- Preciso lhe mostrar uma coisa. – e a conduziu a casa de
praia.
Entraram no quarto antigo dos pais que, pelo entardecer as
luz do sol entrava radiante pela janela. Anna pegou uma caixa do armário e a
abriu. Havia um lindo vestido branco, com rendas.
- Por favor, use-o. –disse Anna.
Liz vestiu-o e a mãe não conteve as lágrimas, a filha estava
maravilhosa.
Anna guiou a moça até a praia, onde um homem de terno a
esperava. Liz sorria.
- Meu bem – disse o moço.
- Sim?
- Preciso te fazer uma pergunta – disse ele com a mão no
bolço.
- Diga – disse ela olhando nos olhos de Pierrot.
- Queres casar comigo? – disse o moço, tirando uma caixinha
delicada com um anel prata.
Naquele momento, Liz foi feliz. Foi realmente feliz. Foi
incrivelmente feliz. Havia estrelas no teu olhar. Ora, as estrelas voltaram!
Havia uma constelação inteira em seus olhos. Seu sorriso ia de ponta a ponta.
Sim, aquele sorriso! Todos os
encantos perdidos foram reencontrados. Liz esqueceu-se da doença, e por alguns
segundos, foi realmente feliz.
Liz sorria e aceitava, várias vezes.
- Sim, sim, sim... – como se aquilo fosse algo no qual ela
viveria.
Eles se abraçaram, um abraço verdadeiro, uma troca de
batidas cardíacas, o toque de dois corações. E por fim, o beijo selou a união.
O sol, a maior estrela, seria cúmplice do amor dos dois. E em meio a tudo isso,
sua alma foi feliz. Sua alma encontrou a paz. E assim, viveu para sempre...
Dentro de um abraço.
Sua mãe olhando tudo pela janela, viu um papel na bolsa da
moça, no qual estava escrito: “Sonhos: um amor verdadeiro.”
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