Maria Helena, uma
moça jovem e esbelta, sempre lutou por seus direitos, é professora e faz parte
de um sindicato. Por ser mulher, nunca pode liderar algo, mas há algumas
semanas atrás tinha conseguido o cargo de líder dos protestos.
Quando a jovem foi
eleita disse: “Vou lutar pelos nossos direitos até o fim!”. Nessa mesma época,
o preço da passagem do transporte público tinha aumentado e muito do que o
governo prometia não era cumprido, principalmente para professores de escolas
públicas, como ela.
A moça já estava
cansada dessa situação e decidiu ela mesma organizar um protesto. Fez alguns
cartazes e convocou o sindicato dizendo que todo o movimento já estava
planejado, porém faltavam apenas os participantes.
O sindicato, em
pouco tempo, conseguiu muitos protestantes, que marcaram uma reunião para
combinar a data, o horário e o ponto de encontro. Foi determinado dia 13 de
junho às cinco horas da tarde, na marquise do MASP.
Então o grande dia
chegou, Maria resolveu ir meia hora antes, e já estava cheio de protestantes,
mais do que esperava. Todos tinham cartazes em mãos, alguns tinham seus rostos
pintados, e outros usavam máscaras.
Deu exatamente cinco
da tarde, o protesto começou, todos andando em direção a Praça da Sé, com o
sentimento de revolução a flor da pele, gritando: “O povo acordou!” ou “Sem
violência!”.
Ao chegarem no final
da avenida, a tropa de choque aparece, e muitos deles jogaram bombas de gás
lacrimogêneo. Grande maioria caia ao chão, e para a sorte dos participantes,
Maria Helena e outros haviam trazido vinagre, que amenizava o efeito do gás,
auxiliando a respiração.
Agora, muitos
estavam fracos, mas conseguiam continuar. Até o fim do percurso, houve vários
conflitos com a polícia, principalmente por ter alguns vândalos infiltrados nos
grupos.
Estava quase
terminando, mas antes resolveram que o protesto continuaria no dia seguinte,
mesmo local e horário.
Todos estavam
cansados, inclusive Maria, porém foram protestar, dessa vez mais prevenidos com
máscaras de gás e vinagre. Esse dia foi realmente imprevisível...
O grupo inteiro foi
fazendo o mesmo percurso, mas dessa vez tinha a cavalaria, o que acabou
dispersando totalmente os manifestantes. Nessa confusão toda, além de jogarem
bombas de efeito moral, muitas pessoas caíram, e infelizmente Maria Helena foi
uma delas.
Ela era uma jovem
esbelta, lutava por seus direitos e amava a sua profissão, tudo isso terminou
quando tropeçou e foi pisoteada pela cavalaria.
Sem chances de
sobreviver, muito menos se movimentar, a sua última piscada foi a que mais
marcou. A lágrima que escorria pelo seu rosto significava dor, sofrimento e
luta por não conseguir cumprir o que falou. Mesmo não tendo conseguido, tinha
certeza de que alguém seguirá com seus objetivos.
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