domingo, 10 de novembro de 2013

58-Maria Guerreira

Maria Helena, uma moça jovem e esbelta, sempre lutou por seus direitos, é professora e faz parte de um sindicato. Por ser mulher, nunca pode liderar algo, mas há algumas semanas atrás tinha conseguido o cargo de líder dos protestos.
Quando a jovem foi eleita disse: “Vou lutar pelos nossos direitos até o fim!”. Nessa mesma época, o preço da passagem do transporte público tinha aumentado e muito do que o governo prometia não era cumprido, principalmente para professores de escolas públicas, como ela.
A moça já estava cansada dessa situação e decidiu ela mesma organizar um protesto. Fez alguns cartazes e convocou o sindicato dizendo que todo o movimento já estava planejado, porém faltavam apenas os participantes.
O sindicato, em pouco tempo, conseguiu muitos protestantes, que marcaram uma reunião para combinar a data, o horário e o ponto de encontro. Foi determinado dia 13 de junho às cinco horas da tarde, na marquise do MASP.
Então o grande dia chegou, Maria resolveu ir meia hora antes, e já estava cheio de protestantes, mais do que esperava. Todos tinham cartazes em mãos, alguns tinham seus rostos pintados, e outros usavam máscaras.
Deu exatamente cinco da tarde, o protesto começou, todos andando em direção a Praça da Sé, com o sentimento de revolução a flor da pele, gritando: “O povo acordou!” ou “Sem violência!”.
Ao chegarem no final da avenida, a tropa de choque aparece, e muitos deles jogaram bombas de gás lacrimogêneo. Grande maioria caia ao chão, e para a sorte dos participantes, Maria Helena e outros haviam trazido vinagre, que amenizava o efeito do gás, auxiliando a respiração.
Agora, muitos estavam fracos, mas conseguiam continuar. Até o fim do percurso, houve vários conflitos com a polícia, principalmente por ter alguns vândalos infiltrados nos grupos.
Estava quase terminando, mas antes resolveram que o protesto continuaria no dia seguinte, mesmo local e horário.
Todos estavam cansados, inclusive Maria, porém foram protestar, dessa vez mais prevenidos com máscaras de gás e vinagre. Esse dia foi realmente imprevisível...
O grupo inteiro foi fazendo o mesmo percurso, mas dessa vez tinha a cavalaria, o que acabou dispersando totalmente os manifestantes. Nessa confusão toda, além de jogarem bombas de efeito moral, muitas pessoas caíram, e infelizmente Maria Helena foi uma delas.
Ela era uma jovem esbelta, lutava por seus direitos e amava a sua profissão, tudo isso terminou quando tropeçou e foi pisoteada pela cavalaria.
Sem chances de sobreviver, muito menos se movimentar, a sua última piscada foi a que mais marcou. A lágrima que escorria pelo seu rosto significava dor, sofrimento e luta por não conseguir cumprir o que falou. Mesmo não tendo conseguido, tinha certeza de que alguém seguirá com seus objetivos.

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