Às
vezes seu costume neurótico lhe atrapalhava, mas sempre em seus bolsos
estavam as suas pedras de sorte, que traziam um dia perfeito a ela. Essa
era Vanessa Marin de 47 anos, dona de um grande salão de beleza, sua
fisionomia não lhe ajudava muito com seus olhos caídos, tendo olheiras
gigantes, suas expressivas sobrancelhas demonstravam ânimo, algo que não
era aparente em seus lábios, aqueles cabelos compridos e bem arrumados
eram reflexo do salão de beleza.
Todos os dias era aquela correria, pegando suas pedras de manhã e indo
direto para o trabalho, porém houve um dia que ela não encontrou as
pedras, e ficou até vinte minutos procurando pelos amuletos e acabou
indo sem elas, como nunca havia acontecido.
O seu dia já começava mal, ela durante o caminho para o salão ralou o
carro com outro, arrumou briga e atrasou mais ainda, chegando lá o
portão não abria, estava emperrado, chamou um especialista para
consertar. Enfim abriu a loja com duas horas de atraso, só com todo esse
transtorno, perdeu muitos clientes, mas retornou a normalidade, Vanessa
começava a fazer contas e planos, os funcionários vinham fazer
perguntas e pedir ajuda mas as respostas de Vanessa eram rudes e secas,
seu jeito mudou incrivelmente só por causa das pedras.
No dia seguinte e por mais uma semana, ela continuou desse modo, até
que sua melhor amiga decide falar com Vanessa percebendo a mudança dela,
tentou ajuda-la dizendo que as pedras só tinham um valor sentimental,
que a sorte não existia e todas as coisas ruins que estavam acontecendo
com ela era culpa do psicológico deixando-a nervosa fazendo tudo errado.
Vanessa parecia furiosa com as críticas dela, mas sua amiga sempre a
fez pensar.
No dia seguinte Vanessa não procurou pelas pedras, tudo ocorria bem, os
amuletos pareciam não mais existir na vida dela, seu salão parecia ter
mais cliente, sua autoestima estava melhor, ela agradecia a sua melhor
amiga pela ajuda, e nunca mais se viu as pedras da sorte.
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