Era uma manhã de segunda-feira e Bianca
acordou novamente com sono, tinha dormido tarde novamente. Arrependida por
dormir tarde e no dia seguinte ter aula cedo? Não. Já estava acostumada com a
rotina de dormir poucas horas. Entrou no carro e seu motorista a levou até a
faculdade, dormindo durante todo o percurso, que durava cerca de 40 minutos.
Bianca saiu do carro e pôde sentir o vento
gelado do inverno, suas mãos instantaneamente ficaram frias e seu rosto ficou
vermelho, seus cabelos longos se bagunçavam com o vento, correu até a sala e viu
seus colegas conversando. Colegas, apenas colegas. Ela não tinha amigos, seu
orgulho era maior, que era seu dinheiro. Vivia fechada, não sorria para
ninguém. Nunca sentia a vontade de ter amigos, conversar, ajudar.
Tinha alguns problemas familiares,
que estavam longe dela, é solitária e quando pequena não recebia apoio e
carinho de seus pais como toda criança teve. Assim veio o resultado de uma
pessoa reservada, triste e sem amigos, para ela, seu dinheiro era única coisa
que possuía.
Tocou o sinal e entrou uma menina
que ninguém nunca tinha visto, era uma aluna nova e cega. Sim, ela era cega e
por isso chamou atenção de todos. O professor começou a falar:
- Essa é a nossa aluna nova, o
nome dela é Júlia. Bianca, você poderia ajudá-la quando for preciso? – O
professor sabia que Bianca não tinha amigos e tentou incentivar. Júlia
tinha uma estatura baixa, cabelos até os ombros, possuia um ar de inocência e
muitos da sala já puderam se simpatizar com ela. Apesar de não enxergar, podia
sentir que todos, ou pelo menos a maioria.
- Me recuso. – Virou o rosto.
-
Bianca, você poderia ser um pouco... -
Professor, eu me viro. – A menina disse.
-
Não, ela irá te ajudar. – O professor disse. – E se não ajudar terá
problemas... Bianca
respirou fundo, não queria ficar próxima de alguém e muito menos ajudar, mas
teve que aceitar. Começou ajudando a menina sentar-se na carteira ao lado. Júlia
não entendia muito bem a matéria e Bianca fingia que não estava observando.
Tocou o sinal para o recreio. Júlia queria ir a cantina, mas como não conhecia
a escola e não podia enxergar teve que pedir ajuda. - Bianca... Você poderia me ajudar
ir até a cantina? – Dizia a menina com medo.
Bianca
foi embora sem responder e deixou Júlia sozinha esperando alguma resposta.
Muitos de seus colegas ficaram revoltados com a atitude, alguns ajudaram a
aluna nova e outros foram conversar com a menina que estava saindo do banheiro. -
Custava ajudar ela? – Um menino segurou-a pelo ombro.
- Eu não ia pra cantina, então não
ajudei. – Saiu andando.
Enquanto
isso na cantina...
- Que mais alguma coisa? – Perguntou
uma menina que estava ajudando Y para comprar seu lanche.
-
Não, obrigada. – Júlia pegou sua coxinha e seu suco.
-
Por quê? -
Desde que ela chegou aqui, sempre foi anti-sociável.
Ela sempre fala que tem
dinheiro e que ninguém é do nível dela. - Dinheiro? Nível? – Júlia
queria saber mais sobre Bianca.
-
É... Como posso dizer... Ela acaba mostrando que o dinheiro dela mostre a todos
que ela é maior. Algumas pessoas são assim. Não tem uma pessoa que se aproxima
dela. - Entendo.
No
dia seguinte, a professora de história passava sua matéria na lousa, Bianca
estava responsável em ajudá-la a anotar todas as informações, mas com sua má
vontade, apenas disse:
- Pode anotar. – Jogou o caderno
em cima da mesa de Júlia, não adiantou, pois não enxergava, todos que
observavam ficavam chocados com essas atitudes maldosas. Passaram
alguns dias e Bianca não auxiliava sua colega, apesar de seus colegas darem
bronca toda hora pela suas atitudes nem um pouco cooperativas, era muita
pressão em cima dela.
- Você não
sabe ser um humano, aí os professores tentam te ajudar e você nem se esforça ou
ser solidária. Acho ridículo da sua parte, sua família deve ficar decepcionada
com você toda hora. – Uma menina veio falar com Bianca. Sempre a
deixava sozinha, quando pedia alguma coisa, fingia que não a ouvia. Nunca se importou
com isso, claro, mas no caminho da escola à sua casa, pensou:
“- Por que eu? Por que eu tenho
que ajudar? Por que as pessoas brigam comigo, eu fiz alguma coisa de errado? Já
tive momentos que precisei de ajuda e mesmo assim ninguém veio.”
Chegou na sua casa e correu até o
quarto, sem perceber, lágrimas apareceram, não entendia, as pessoas ajudavam
pessoas que necessitavam ajuda “física”, Júlia tinha pessoas para ajudá-la em
todos os momentos que precisasse. Mas e ela? Sofria problemas psicológicos, sua
família tinha abandonada-a e não teve nenhum momento em que alguém a
confortasse.
Sua família já não aguentava mais
sua personalidade reservada e muitas vezes ignorante e por isso a abandonou,
deixou uma boa parte do dinheiro e como já era maior idade, deixou a casa.
Sentia uma sensação diferente.
Inveja? Ciúmes? Raiva? Tristeza? Solidão? Ou tudo isso junto em um coração que
há anos estava amargurado de memórias sombrias? Bianca queria morrer, antes de Júlia
entrar, ninguém conversava com ela, após a entrada, todos a tratavam mal como
se fosse um incomodo ou algum ser que não pudesse sentir perto.
Queria que o ano
acabasse logo, tudo acabasse logo, para esquecer tudo e voltar sua rotina
normal. No dia seguinte, teve uma surpresa, Júlia estava sentada em sua
carteira, apenas tinha ela naquela sala.
- Aqui é o meu lugar.
– Disse seca.
- Eu sei, posso
conversar com você?
- Posso. – Respirou
fundo e se sentou na carteira ao lado.
- Eu não nasci cega,
quando era pequena, sofri um acidente de carro e perdi a visão. Trágico, não? –
Júlia deu um pequeno sorriso.
- “Hum.” – Concordou
com a cabeça.
- No começo sim, mas
comecei a me acostumar, fiquei triste por não poder ver mais um mundo lindo.
Tantas coisas podem estar me esperando para que eu as veja-as, mas que não será
mais possível. – Virou o rosto para Bianca. – Mas apesar de não ver, posso
sentir as pessoas, e sinto que você é uma pessoa triste, certo?
- Não. – respondeu
rápido.
- Eu sei que é. Você
não pode se fechar assim, a vida continua e se não puder aproveitar, o que será
de você?
Som de choro podia ser
ouvido, Bianca não queria relembrar disso novamente, era angustiante.
- Lágrimas não fazem
milagres, viu?
- Eu não estou
chorando. – Enxugava as lágrimas.
- Bom, se é o que diz.
Acho que o melhor caminho depois de um acontecimento ruim é sorrir. O que
aconteceu comigo é uma outra coisa, mas a solução é a mesma, viver com o
coração aberto para a felicidade é a melhor coisa, não acha?
- Sabe... Eu queria
que alguém naquele momento que me abandonaram, me confortasse. Pensei em me
matar, que ninguém sentiria minha falta, mas por algum motivo não consegui.
- A vida é sua, mas
tenho certeza que muitos dessa sala não queriam isso de você. Todos falam que
gostaria de conversar com você, mas é você que não deixa.
- Eu me fecho muito,
mas eu quero conversar com alguém, se divertir, sorrir e curtir a vida como
muitas pessoas.
- Todas as pessoas
passam por obstáculos, mas nem por isso devem se render, se isolar. Comece do
zero.
Bianca abraçou Júlia,
não conseguia parar de chorar, tinha perdido anos de vida por dentro, lembrou
que não sorria, que não se divertia. A partir daquele dia, começou a fazer
novas amizades e até encontrou um namorado.
Se isolando desse
mundo estranho, você só perde tempo.
Você fez um ótimo texto, adorei a historia e amei a frase final.
ResponderExcluirEm algumas partes faltou coesão, por exemplo na frase: "Tinha alguns problemas familiares, que estavam longe dela (...)", não ficou claro se os problemas familiares estavam longe dela ou se a família estava.
Mas no geral foi um bom texto. xD