domingo, 10 de novembro de 2013

40-O jogo da vida

 Os ponteiros do relógio marcavam dez horas. Aline estava atrasadíssima para ir a faculdade e seu motorista a esperava impaciente na porta de sua casa. Ela se arrumou rapidamente e desceu as escadas.
 Estava no último ano da faculdade de moda. Desde pequena ela sabia que esse seria o seu hobby, pois seu pai é dono de uma importante fábrica de roupas e tem várias filiais espalhadas por todo o Brasil, a menina amava ir com o pai para a fábrica e se interessava cada vez mais por moda.
 Nunca repetia uma única peça de roupa e sempre usava as novas tendências, mas prefere saias, salto e blusinhas descoladas. No próximo mês ela completará um ano de namoro com Luís Fernando, eles se conheceram em uma festa e depois daquele dia, viraram melhores amigos até que Luís pediu Aline em namoro. Como é filha única, sempre foi muito mimada pelos pais e tinha uma ótima relação com eles. Tinha hábitos como bater os pés quando entediada, ajeitar o cabelo quando alguém a olha e comer uma maça antes de sair para o trabalho.
 Com apenas 24 anos, ela já é editora chefe no setor de moda de uma importante e famosa revista voltada ao público jovem. Quando ganhou o cargo não acreditou, pois ele sempre foi ocupado por homens. Aquela era a primeira vez em que uma mulher consegue ocupar o cargo de editora chefa. Com esse e vários outros exemplos podemos notar que a mulher está cada vez mais presente em lugares que antigamente era ocupado por homens.
 A aula já havia acabado, porém seu motorista Camilo não havia chegado, ela então sentou em um banco e continuou aguardando. Aline então viu um cachorro do outro lado da rua gemendo de dor, muitas pessoas passavam e viam o cachorro porém não faziam nada. Ela ficava indignada com isso, então se levantou e atravessou a rua ao encontro do cachorro. Aline não tinha nenhuma experiência na parte de veterinária, mas era visível que ele estava com duas patas quebradas. O pobre cachorro estava perdendo muito sangue. Aline estava desesperada e perguntou para o dono da banca ao lado o que havia acontecido com o animal, e ele disse que naquela manhã ele tinha sido atropelado por um caminhão. Sem pensar muito, ela pegou o cão nos braços e voltou para o banco onde estava sentada e aguardou o seu motorista.
 Quando ele chegou perguntou o que estava acontecendo, ela não o respondeu e pediu para que ele a levasse para o melhor veterinário da região. No caminho ela contou toda história para Camilo que ficou muito impressionado com a bela atitude da moça. Chegando lá o cachorrinho passou por uma série de exames e a veterinária disse que o estado dele era grave e teria de ser operado naquele momento.
 Ela faltou ao trabalho naquele dia e deu a desculpa de estar passando mal. Aguardou até o final da cirurgia com o namorado, que veio assim que Aline chamou.
 No final do corredor, viu uma mulher saindo da sala, percebeu que a mulher era a médica do cãozinho. Aline então foi correndo em direção da doutora, por descuido deixou até a bolsa cair. Seu coração estava disparado, só se acalmou quando a veterinária disse que estava tudo bem e a cirurgia foi um sucesso. Porém, isso não queria dizer que ele ficaria bem, pois o impacto foi muito grande e ele estava muito sensível. Mesmo assim Aline quis continuar cuidando do cachorro e o nomeou de Max. Sendo assim, a médica passou os remédios e os cuidados que ela deveria de tomar com o cão.
 Como ela estudava de manhã e trabalhava à tarde, deixava Max com o namorado e depois o buscava.
 Meses se passaram. Era um dia comum, como os outros. Aline acordou cedo, era sábado e não teria aula naquele dia. Arrumou-se e comeu sua maça como de costume antes de ir ao trabalho.
 Chegando a redação da revista, foi direto para o escritório. Todos lá a respeitavam e a admiravam, até mesmo os homens. SIM, OS TEMPOS ESTÃO MUDANDO.
 Aline estava resolvendo alguns assuntos no escritório quando sua secretária entrou com um olhar de desespero dizendo que Luís Fernando estava na linha. Nem deu tempo da moça dizer ‘alô’, e seu namorado apavorado disse que Max estava sem ação nenhuma e estava a horas assim.
 Ela então pegou a bolsa e foi correndo para a casa de seu amado. De lá foram para o veterinário.
 Mais já era tarde demais. O coração do cãozinho parou de bater, ele não resistiu e faleceu. Aline estava inconsolável. Entrou em depressão mas depois se recuperou alguns meses depois.
 Dois anos se passaram após o ocorrido. Era dia de inauguração de um projeto que mudaria a vida de muita gente, ou cachorros. Aline criou um movimento social que retirava cães da rua e os levava para um abrigo onde eram muito bem cuidados e depois colocados para adoção. Assim muitos deles teriam um futuro melhor e menos chances de não sobreviverem na rua.


 Aline nomeou o projeto como Max, em memória dele. Ela se casou no mês passado, ainda continua sendo editora chefa na revista e agora assume outro cargo importante que mudará vidas de muitos cães de rua, dando a eles uma vida bem melhor.

Um comentário:

  1. Gostei bastante e a história é muito boa. Houve pequenas repetições como a palavra “médica” mas isso é comum. Acho que você poderia aumentar mais a história e acrescentar mais o clímax. Você escreve bem e não encontrei nenhum erro ortográfico. Adorei a ideia e o final, parabéns.

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