segunda-feira, 11 de novembro de 2013

34-Uma mulher é capaz de qualquer coisa



Bem, esta história pode ser apenas mais uma entre muitas, uma história comum, com o final igual ou parecido ao das outras, nas quais o bem sempre vence o mal. A diferença é que essa história é real e, além disso, vai contra todos os conceitos machistas de que ‘o homem é o líder, o superior’.
Então vamos começar... Aconteceu em uma das principais favelas do Rio de Janeiro, a Rocinha, conhecida por intenso tráfico de drogas e criminalidade. Centenas, talvez milhares de famílias morem lá, uma delas é a de Dona Mercedes, mulher trabalhadora que criou suas duas filhas sozinha, Byana de 19 anos e Rayssa de 13.
Mercedes trabalha em período integral numa lanchonete, portanto sua renda é baixa e não acompanha ‘cada passo’ de suas filhas. A mãe tem uma relação complicada com sua filha mais velha, elas têm frequentes brigas e discussões, o motivo? Mercedes desconfia que Byana esteja relacionada com o tráfico de drogas, apesar de ter certeza que ela não é usuária, a mãe teme que sua filha tenha o mesmo futuro de seu pai, ser morta pelos traficantes.
A garota é conhecida por todos na comunidade, já terminou o colegial e frequenta muitos bailes funks, portanto está em contato diariamente com as drogas e os crimes. Byana é uma das meninas mais bonitas da comunidade, mulata, cabelo alisado, roupas coladas, enfim, é cobiçada pelos garotos da região.
Uma noite, Byana foi à casa de sua amiga, Sheila, as garotas queriam sair para curtir a noite, porém foram impedidas pela falta de dinheiro. Indignadas por seus amigos sempre terem dinheiro para fazer o que queriam, as adolescentes decidiram perguntar como arranjavam aquele dinheiro todo. Foi aí que elas souberam, os meninos comandavam a distribuição de drogas e entorpecentes em uma das partes da rocinha.
No início, ambas ficaram chocadas com a notícia, porém já estavam mais conformadas e estavam decididas a fazer o mesmo, ligaram para os amigos e contaram-nos, os meninos gargalharam, disseram que elas eram mulheres e que deviam limpar a casa e procurar um marido. Desligaram.
No dia seguinte, Sheila e Byana foram procurar o responsável pela comercialização das drogas na Rocinha, conversaram por horas e então um acordo foi feito. As meninas seriam responsáveis pela distribuição na zona sul da comunidade.
Elas estavam focadas no ‘trabalho’, rendia muito dinheiro, o que permitia as meninas a comprar tudo que queriam. As adolescentes participavam de constantes tiroteios pelo controle do local, porém haviam contratado seguranças e atiradores para a segurança delas.
Em uma dessas trocas de tiros, Byana correu para sua casa, os traficantes a seguiram e efetuaram diversos disparos, um deles pegou no peito de Rayssa, e a matou na hora. Ao deparar-se com a cena, Byana tomou uma decisão, a partir dali, nenhuma criança ou adolescente seria morta injustamente por causa das drogas. Ela saiu do controle do tráfico e não permitiu a sua prática na região em que morava.








Isabella Cristina Esteves – nº9 – 9ºanoA

Nenhum comentário:

Postar um comentário