Bem, esta história pode ser
apenas mais uma entre muitas, uma história comum, com o final igual ou parecido
ao das outras, nas quais o bem sempre vence o mal. A diferença é que essa
história é real e, além disso, vai contra todos os conceitos machistas de que
‘o homem é o líder, o superior’.
Então vamos começar...
Aconteceu em uma das principais favelas do Rio de Janeiro, a Rocinha, conhecida
por intenso tráfico de drogas e criminalidade. Centenas, talvez milhares de
famílias morem lá, uma delas é a de Dona Mercedes, mulher trabalhadora que
criou suas duas filhas sozinha, Byana de 19 anos e Rayssa de 13.
Mercedes trabalha em período
integral numa lanchonete, portanto sua renda é baixa e não acompanha ‘cada
passo’ de suas filhas. A mãe tem uma relação complicada com sua filha mais
velha, elas têm frequentes brigas e discussões, o motivo? Mercedes desconfia
que Byana esteja relacionada com o tráfico de drogas, apesar de ter certeza que
ela não é usuária, a mãe teme que sua filha tenha o mesmo futuro de seu pai,
ser morta pelos traficantes.
A garota é conhecida por todos
na comunidade, já terminou o colegial e frequenta muitos bailes funks, portanto
está em contato diariamente com as drogas e os crimes. Byana é uma das meninas
mais bonitas da comunidade, mulata, cabelo alisado, roupas coladas, enfim, é
cobiçada pelos garotos da região.
Uma noite, Byana foi à casa de
sua amiga, Sheila, as garotas queriam sair para curtir a noite, porém foram
impedidas pela falta de dinheiro. Indignadas por seus amigos sempre terem
dinheiro para fazer o que queriam, as adolescentes decidiram perguntar como
arranjavam aquele dinheiro todo. Foi aí que elas souberam, os meninos
comandavam a distribuição de drogas e entorpecentes em uma das partes da
rocinha.
No início, ambas ficaram
chocadas com a notícia, porém já estavam mais conformadas e estavam decididas a
fazer o mesmo, ligaram para os amigos e contaram-nos, os meninos gargalharam,
disseram que elas eram mulheres e que deviam limpar a casa e procurar um
marido. Desligaram.
No dia seguinte, Sheila e
Byana foram procurar o responsável pela comercialização das drogas na Rocinha,
conversaram por horas e então um acordo foi feito. As meninas seriam
responsáveis pela distribuição na zona sul da comunidade.
Elas estavam focadas no
‘trabalho’, rendia muito dinheiro, o que permitia as meninas a comprar tudo que
queriam. As adolescentes participavam de constantes tiroteios pelo controle do
local, porém haviam contratado seguranças e atiradores para a segurança delas.
Em uma dessas trocas de tiros,
Byana correu para sua casa, os traficantes a seguiram e efetuaram diversos
disparos, um deles pegou no peito de Rayssa, e a matou na hora. Ao deparar-se
com a cena, Byana tomou uma decisão, a partir dali, nenhuma criança ou
adolescente seria morta injustamente por causa das drogas. Ela saiu do controle
do tráfico e não permitiu a sua prática na região em que morava.
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