A
garota com cabelos encaracolados e olhos verdes, com corpo magro e alto, era a
garota perfeita do colégio São Francisco, conhecida pelos troféus de vôlei
expostos no meio do corredor.
Todas
as tardes, logo após a aula, Jessica Santos treinava vôlei no colégio com o
time por duas horas e seguia indo para casa fazer suas lições. Mesmo
com a paixão por vôlei Jessica também se dedicava bastante aos estudos. Adorava
ler e escrever, mas nada podia substituir seu amor por esportes.
Em
2011, com 15 anos, foi eleita como capitã do time, desde então o Colégio São
Francisco não perdia um jogo dentro ou fora de casa, venciam sempre com
diferenças enormes, e todo ano voltavam com um troféu de primeiro lugar. Todos
a agradeciam por seu maravilhoso desempenho liderando o time, mas ela sempre
dizia que a vitória aconteceu graças ao time.
Após
dois anos de liderança Jessica resolveu inscrever sua escola em um torneio
brasileiro, para qual treinaram muito, afinal lá haveria olheiros de diversas
universidades. As
duas horas de treino passaram para três, e começaram a praticar no sábado
durante duas horas. Seus esforços eram incontestáveis e todos sabiam o valor
desse torneio para elas. Depois
de um mês de treino puxado, o desempenho da líder não parecia aumentar muito. E
ela dizia que sentia muitas dores na perna esquerda, principalmente quando
pulava.
As
dores não preocuparam muito, pois poderiam ser apenas falta de costume com o
novo treino. Mas mesmo com dois/três meses de treinos rigorosos a dor continuava
com a mesma intensidade, às vezes até pior. Agora
todos estanhavam o “mau” desempenho de Jessica, afinal muito tempo já havia
passado e faltava só um mês pra o inicio dos jogos.
Os
pais da aluna acreditaram que as dores seriam passageiras, mas ao ver o desespero
da filha que chorava e gritava que não conseguia mexer sua perna, resolveram
leva-la ao medico.
Ao
analisar o medico percebeu um leve inchaço na perna e precisava de alguns
exames para comprovar sua hipótese sobre o que poderia ser. E pediu para que
ela começasse a usa uma muleta ou cadeira de rodas.
Eles
fizeram os exames e pediram o resultado com urgência. Levaram ao medico e
perguntaram o que Jessica tinha. O
doutor disse que pelos sintomas e pelos resultados, Jessica Santos estava com
uma bactéria na perna que se espalham sobre a superfície e penetram no musculo
liberando toxinas dentro do membro ferido.
O
susto foi estrondoso, e insuportável para a jogadora de vôlei. Já era
insuportável ter que assistir sentada o treino do time sem poder ajudar em
nada. O silêncio na sala foi preocupante, pois todos esperavam alguma reação da
garota. Até que ela perguntou:
-
Eu vou poder continuar jogando vôlei?
Com
algumas duvida o médico respondeu que não tinha certeza, mas que ela não
poderia jogar vôlei durante os próximos três meses, pois estaria passando por
um tratamento.
Ao
ouvir a recomendação do doutor os pais de Jessica pediram para conversar com
ele em particular, para poderem saber mais sobre a doença sem abalar mais a
filha.
A
vontade de gritar era imensa, mas ela se controlou, afinal não adiantaria em
nada. Sentia como se estivessem jogando todo seu esforço pela lata do lixo e
queimando seus sonhos na sua frente. Quando
seus pais voltaram, ela percebeu uma lagrima no olho da sua mãe. Logo perguntou:
-
O que houve? É muito grave?
Seu
pai preferiu responder, para controlar um pouco as emoções da mãe :
-
Filha, você esta com uma doença que não é rara, existem tratamentos, mas tem
que ser acompanhado, então você não poderá nem participar nem assistir os jogos
do torneio. Sinto muito.
A
filha não aguentou, chorou tanto dentro do consultório que no caminho de volta
o silêncio era muito profundo, como se todas suas lágrimas tivessem acabado. Era
muito complicado entender que ela não poderia mais praticar esportes como
antes, não poderia ajudar suas amigas com o treino, muito menos exerce uma
“liderança” da qual ela tanto se orgulhava.
Os
meses passaram, e Jessica ficou internada fazendo vários e vários exames, para
poder controlar e acabar com a bactéria.
Até
que em uma noite, um dos exames apareceu com um porcentual de glóbulos alterados,
os médicos logo se prontificaram em verificar novamente. Era muito tarde e
todos os pacientes estavam dormindo, então as verificações seriam feitas logo
de manhã.
Todos
estavam descansando até serem acordados por uma sequência de gritos agudos e
altos, gritos como os de uma garota. Essa era ela, Jessica estava gritando de
dor, sua perna começou a latejar, travava sempre quando tentava mexer e tinha
uma dor inenarrável.
Rapidamente
enfermeiros e médicos de plantão chegaram ao quarto mediram a pressão e
temperatura da garota, estavam muito alteradas. A dor aumentava cada minuto que
se passava, e Jessica continuava gritando descontroladamente.
A
situação só piorava, seus gritos eram sofridos, decidiram anestesiar sua perna
na tentativa de diminuir a tortura que a garota passava. A
dor diminuiu, mas o inchaço era o mesmo, logo Jessica se acalmou, bebeu copos
d’agua e pode descansar com um calmante. Então os médicos puderam examinaram
sua perna, fizeram vários exames para verificar o causador da dor.
De
manhã a jogadora de vôlei encontrou seu pai e sua mãe dentro do seu quarto,
ambos não sabiam o que foi descoberto sobre a bactéria.
Até
que um doutor chegou e pediu para que os pais se sentassem que ele iria
explicar a situação:
-
Ontem á noite, tivemos uma reação muito inesperada do corpo da adolescente, as
dores aumentaram gravemente, os remédios não surtiam efeito, o inchaço foi
dificilmente controlado e a temperatura dela aumentou excessivamente.
Eles
ficaram assustados, a mãe chorou (mesmo tentando disfarçar); o pai se
preocupou, começou a suar e deixou algumas lágrimas escaparem; a adolescente
travou, não falava, não chorava, não expressou nenhuma emoção.
-Mas
senhor e senhora Santos nós temos uma solução que terminaria com a bactéria e
com as dores...
A
mãe não parava de chorar, mas essa noticia a acalmou um pouco. Então o pai
aliviado perguntou:
-Então
diga! Que solução tão milagrosa é essa?
-O
único jeito seria amputar a perna esquerda dela.
-
Você “tá” louco? Minha filha é uma atleta, isso acabaria com seus sonhos!
-Calma.
Senhor, o procedimento acabaria com a dor dela... Sua filha teve a sorte que a
bactéria não se espalhou para outras partes do corpo, mas o azar dela atacar
com dores fortíssimas. Se nós amputarmos ela, a dor sumiria e a bactéria
acabaria. Sem dizer que é um procedimento muito bem acompanhado e seguro.
Não
houve respostas, confirmações ou negações em relação à ideia. Todos se calaram
e o medico decidiu sair pra que eles pudessem conversar particularmente.
Enxugando
as lágrimas a mãe perguntou calmamente:
-Filha
o que você prefere fazer?
-Mãe...
Eu acredito que o melhor seja amputar mesmo.
-Como
assim? Não acredito no que estou ouvindo! Filha você vai jogar todos seus
sonhos na lata do lixo? – disse o pai estressado.
-Pai,
a dor que eu senti ontem foi a pior coisa que pode acontecer para alguém,
sinceramente dizendo, foi uma tortura a noite passada. E se eu tenho a chance
de me livrar dessa dor,dessa doença, desse hospital! Mesmo que isso custe um
dos meus sonhos, a minha vida vai continuar, eu vou criar novos objetivos, ter
mais sonhos e me livrarei desse pesadelo.
O
texto foi profundo, tocou o pai ele sentiu a firmeza no modo de falar da sua
filha, talvez ela tivesse perdido o papel de líder, mas ela tinha o espirito de
liderança, principalmente quando fazia decisões pensando nas consequências, nos
lucros e nos prejuízos.
Ele
sentiu tanto orgulho da sua princesinha que a abraçou com tanta alegria e
emoção que em seu rosto escorriam milhares e milhares de lágrimas. Chamaram
o médico e aceitaram fazer a cirurgia, por tanto que fosse o mais rápido
possível, assim não teria nenhuma chance da bactéria se espalhar.
E
assim foi feito, marcaram a cirurgia uma semana depois. O pai muito ansioso
decidiu fazer uma surpresa, chamou o time de vôlei do colégio, formado pelas
melhores amigas dela, para ir visita-la um dia antes da cirurgia.
O
time inteiro se animou com a novidade, que tudo estava bem com ela. Mas também
ficaram mal pelo “sacrifício” dela. Um
dia antes da cirurgia, a adolescente estava ansiosa, preocupada, nervosa, um
pouco estressada e muito pensativa. Em
um desses momentos pensativos sobre a vida, o time de vôlei invadiu o quarto
dela com muitos sorrisos, risadas, lágrimas de saudades, e com muitas
novidades. A garota chorou muito, a saudade era imensa, mas com essa visita ela
conseguiu transformar todos os sentimentos em felicidade.
Porém
as surpresas ainda não tinham acabado, logo após todos os abraços, veio um
troféu dourado, e todos juntos gritaram:
- GANHAMOS!
Jessica
não suportou a emoção e começou a chorar, sentiu muito orgulho de cada um que
estava na sua frente.
Mesmo
depois de tantas emoções, eles ainda tinham uma curiosidade que poderia
importar para a adolescente, e a melhor amiga dela disse:
-Tudo
o que a gente conquistou até hoje foi graças a você, a pessoa que sempre nos
apoiou, nos incentivou, nos ajudou com tudo! Agora nós queremos ajuda-la! Como
todos sabem você ama vôlei, então nós não vamos deixar esse obstáculo acabar
com a sua corrida. Pesquisamos e encontramos uma escola para deficientes, onde
você vai poder jogar vôlei gratuitamente.
A
garota não tinha palavras para descrever o amor, orgulho, felicidade que estava
sentindo naquele momento, então pediu:
-Vocês
são os melhores, abraço em grupo?
Todos
se juntaram, misturando lágrimas, e emoções tudo em um abraço verdadeiro. Jessica
não podia ter uma véspera de cirurgia melhor, suas preocupações não existiam
mais, suas alegrias aumentaram, e ao invés de não dormir por nervosismo, não
dormiu por alegria e emoção que passou naquele momento. O
dia chegou, às 9h deixou o quarto e foi para a sala de cirurgia. E a
cirurgia ocorreu perfeitamente.
A
garota ficou no hospital mais uma semana e foi liberada, com a condição de
fazer fisioterapia todos os dias.
Voltando
à escola Jessica foi recebida com abraços e aplausos. Ficou acompanhando as
aulas normalmente junto com a fisioterapia, com um pouco de dificuldade, mas
seus amigos a ajudaram.
Como
sua forma física era excelente, as consultas com a fisioterapeuta duraram
apenas dois meses então pode começar as aulas de vôlei para garotas
deficientes. Jessica
Santos logo que se acostumou com o novo jeito de jogar, se destacou tanto que e
poucos meses se tornou líder do time juvenil de vôlei para deficientes.
A
felicidade era inexplicável, ela sorria de orelha a orelha, pois pode sentir
novamente o que sentia antes liderando e ajudando seu time e suas novas amigas.
Gostei muito do texto, apesar de poucas repetições no começo, achei muito legal e o final surpreendente. Houve também a falta de acentuação na palavra “pôde” umas duas vezes no texto, mas nada muito grave. Achei simplesmente perfeito! Parabéns.
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