domingo, 10 de novembro de 2013

57-Sonho esportivo

A garota com cabelos encaracolados e olhos verdes, com corpo magro e alto, era a garota perfeita do colégio São Francisco, conhecida pelos troféus de vôlei expostos no meio do corredor.

Todas as tardes, logo após a aula, Jessica Santos treinava vôlei no colégio com o time por duas horas e seguia indo para casa fazer suas lições. Mesmo com a paixão por vôlei Jessica também se dedicava bastante aos estudos. Adorava ler e escrever, mas nada podia substituir seu amor por esportes.

Em 2011, com 15 anos, foi eleita como capitã do time, desde então o Colégio São Francisco não perdia um jogo dentro ou fora de casa, venciam sempre com diferenças enormes, e todo ano voltavam com um troféu de primeiro lugar. Todos a agradeciam por seu maravilhoso desempenho liderando o time, mas ela sempre dizia que a vitória aconteceu graças ao time.

Após dois anos de liderança Jessica resolveu inscrever sua escola em um torneio brasileiro, para qual treinaram muito, afinal lá haveria olheiros de diversas universidades. As duas horas de treino passaram para três, e começaram a praticar no sábado durante duas horas. Seus esforços eram incontestáveis e todos sabiam o valor desse torneio para elas. Depois de um mês de treino puxado, o desempenho da líder não parecia aumentar muito. E ela dizia que sentia muitas dores na perna esquerda, principalmente quando pulava.

As dores não preocuparam muito, pois poderiam ser apenas falta de costume com o novo treino. Mas mesmo com dois/três meses de treinos rigorosos a dor continuava com a mesma intensidade, às vezes até pior. Agora todos estanhavam o “mau” desempenho de Jessica, afinal muito tempo já havia passado e faltava só um mês pra o inicio dos jogos.
Os pais da aluna acreditaram que as dores seriam passageiras, mas ao ver o desespero da filha que chorava e gritava que não conseguia mexer sua perna, resolveram leva-la ao medico.
Ao analisar o medico percebeu um leve inchaço na perna e precisava de alguns exames para comprovar sua hipótese sobre o que poderia ser. E pediu para que ela começasse a usa uma muleta ou cadeira de rodas.

Eles fizeram os exames e pediram o resultado com urgência. Levaram ao medico e perguntaram o que Jessica tinha. O doutor disse que pelos sintomas e pelos resultados, Jessica Santos estava com uma bactéria na perna que se espalham sobre a superfície e penetram no musculo liberando toxinas dentro do membro ferido.

O susto foi estrondoso, e insuportável para a jogadora de vôlei. Já era insuportável ter que assistir sentada o treino do time sem poder ajudar em nada. O silêncio na sala foi preocupante, pois todos esperavam alguma reação da garota. Até que ela perguntou:
- Eu vou poder continuar jogando vôlei?

Com algumas duvida o médico respondeu que não tinha certeza, mas que ela não poderia jogar vôlei durante os próximos três meses, pois estaria passando por um tratamento.
Ao ouvir a recomendação do doutor os pais de Jessica pediram para conversar com ele em particular, para poderem saber mais sobre a doença sem abalar mais a filha.
A vontade de gritar era imensa, mas ela se controlou, afinal não adiantaria em nada. Sentia como se estivessem jogando todo seu esforço pela lata do lixo e queimando seus sonhos na sua frente. Quando seus pais voltaram, ela percebeu uma lagrima no olho da sua mãe. Logo perguntou:
- O que houve? É muito grave?
Seu pai preferiu responder, para controlar um pouco as emoções da mãe :
- Filha, você esta com uma doença que não é rara, existem tratamentos, mas tem que ser acompanhado, então você não poderá nem participar nem assistir os jogos do torneio. Sinto muito.

A filha não aguentou, chorou tanto dentro do consultório que no caminho de volta o silêncio era muito profundo, como se todas suas lágrimas tivessem acabado. Era muito complicado entender que ela não poderia mais praticar esportes como antes, não poderia ajudar suas amigas com o treino, muito menos exerce uma “liderança” da qual ela tanto se orgulhava.
Os meses passaram, e Jessica ficou internada fazendo vários e vários exames, para poder controlar e acabar com a bactéria.

Até que em uma noite, um dos exames apareceu com um porcentual de glóbulos alterados, os médicos logo se prontificaram em verificar novamente. Era muito tarde e todos os pacientes estavam dormindo, então as verificações seriam feitas logo de manhã.
Todos estavam descansando até serem acordados por uma sequência de gritos agudos e altos, gritos como os de uma garota. Essa era ela, Jessica estava gritando de dor, sua perna começou a latejar, travava sempre quando tentava mexer e tinha uma dor inenarrável.
Rapidamente enfermeiros e médicos de plantão chegaram ao quarto mediram a pressão e temperatura da garota, estavam muito alteradas. A dor aumentava cada minuto que se passava, e Jessica continuava gritando descontroladamente.

 A situação só piorava, seus gritos eram sofridos, decidiram anestesiar sua perna na tentativa de diminuir a tortura que a garota passava. A dor diminuiu, mas o inchaço era o mesmo, logo Jessica se acalmou, bebeu copos d’agua e pode descansar com um calmante. Então os médicos puderam examinaram sua perna, fizeram vários exames para verificar o causador da dor.

De manhã a jogadora de vôlei encontrou seu pai e sua mãe dentro do seu quarto, ambos não sabiam o que foi descoberto sobre a bactéria.
Até que um doutor chegou e pediu para que os pais se sentassem que ele iria explicar a situação:
- Ontem á noite, tivemos uma reação muito inesperada do corpo da adolescente, as dores aumentaram gravemente, os remédios não surtiam efeito, o inchaço foi dificilmente controlado e a temperatura dela aumentou excessivamente.
Eles ficaram assustados, a mãe chorou (mesmo tentando disfarçar); o pai se preocupou, começou a suar e deixou algumas lágrimas escaparem; a adolescente travou, não falava, não chorava, não expressou nenhuma emoção.
-Mas senhor e senhora Santos nós temos uma solução que terminaria com a bactéria e com as dores...

A mãe não parava de chorar, mas essa noticia a acalmou um pouco. Então o pai aliviado perguntou:
-Então diga! Que solução tão milagrosa é essa?
-O único jeito seria amputar a perna esquerda dela.
- Você “tá” louco? Minha filha é uma atleta, isso acabaria com seus sonhos!
-Calma. Senhor, o procedimento acabaria com a dor dela... Sua filha teve a sorte que a bactéria não se espalhou para outras partes do corpo, mas o azar dela atacar com dores fortíssimas. Se nós amputarmos ela, a dor sumiria e a bactéria acabaria. Sem dizer que é um procedimento muito bem acompanhado e seguro.
Não houve respostas, confirmações ou negações em relação à ideia. Todos se calaram e o medico decidiu sair pra que eles pudessem conversar particularmente.
Enxugando as lágrimas a mãe perguntou calmamente:
-Filha o que você prefere fazer?
-Mãe... Eu acredito que o melhor seja amputar mesmo.
-Como assim? Não acredito no que estou ouvindo! Filha você vai jogar todos seus sonhos na lata do lixo? – disse o pai estressado.
-Pai, a dor que eu senti ontem foi a pior coisa que pode acontecer para alguém, sinceramente dizendo, foi uma tortura a noite passada. E se eu tenho a chance de me livrar dessa dor,dessa doença, desse hospital! Mesmo que isso custe um dos meus sonhos, a minha vida vai continuar, eu vou criar novos objetivos, ter mais sonhos e me livrarei desse pesadelo.

O texto foi profundo, tocou o pai ele sentiu a firmeza no modo de falar da sua filha, talvez ela tivesse perdido o papel de líder, mas ela tinha o espirito de liderança, principalmente quando fazia decisões pensando nas consequências, nos lucros e nos prejuízos.
Ele sentiu tanto orgulho da sua princesinha que a abraçou com tanta alegria e emoção que em seu rosto escorriam milhares e milhares de lágrimas. Chamaram o médico e aceitaram fazer a cirurgia, por tanto que fosse o mais rápido possível, assim não teria nenhuma chance da bactéria se espalhar.
E assim foi feito, marcaram a cirurgia uma semana depois. O pai muito ansioso decidiu fazer uma surpresa, chamou o time de vôlei do colégio, formado pelas melhores amigas dela, para ir visita-la um dia antes da cirurgia.

O time inteiro se animou com a novidade, que tudo estava bem com ela. Mas também ficaram mal pelo “sacrifício” dela. Um dia antes da cirurgia, a adolescente estava ansiosa, preocupada, nervosa, um pouco estressada e muito pensativa. Em um desses momentos pensativos sobre a vida, o time de vôlei invadiu o quarto dela com muitos sorrisos, risadas, lágrimas de saudades, e com muitas novidades. A garota chorou muito, a saudade era imensa, mas com essa visita ela conseguiu transformar todos os sentimentos em felicidade.
Porém as surpresas ainda não tinham acabado, logo após todos os abraços, veio um troféu dourado, e todos juntos gritaram:
 - GANHAMOS!

Jessica não suportou a emoção e começou a chorar, sentiu muito orgulho de cada um que estava na sua frente.
Mesmo depois de tantas emoções, eles ainda tinham uma curiosidade que poderia importar para a adolescente, e a melhor amiga dela disse:
-Tudo o que a gente conquistou até hoje foi graças a você, a pessoa que sempre nos apoiou, nos incentivou, nos ajudou com tudo! Agora nós queremos ajuda-la! Como todos sabem você ama vôlei, então nós não vamos deixar esse obstáculo acabar com a sua corrida. Pesquisamos e encontramos uma escola para deficientes, onde você vai poder jogar vôlei gratuitamente.

A garota não tinha palavras para descrever o amor, orgulho, felicidade que estava sentindo naquele momento, então pediu:
-Vocês são os melhores, abraço em grupo?

Todos se juntaram, misturando lágrimas, e emoções tudo em um abraço verdadeiro. Jessica não podia ter uma véspera de cirurgia melhor, suas preocupações não existiam mais, suas alegrias aumentaram, e ao invés de não dormir por nervosismo, não dormiu por alegria e emoção que passou naquele momento. O dia chegou, às 9h deixou o quarto e foi para a sala de cirurgia. E a cirurgia ocorreu perfeitamente.
A garota ficou no hospital mais uma semana e foi liberada, com a condição de fazer fisioterapia todos os dias.
Voltando à escola Jessica foi recebida com abraços e aplausos. Ficou acompanhando as aulas normalmente junto com a fisioterapia, com um pouco de dificuldade, mas seus amigos a ajudaram.

Como sua forma física era excelente, as consultas com a fisioterapeuta duraram apenas dois meses então pode começar as aulas de vôlei para garotas deficientes. Jessica Santos logo que se acostumou com o novo jeito de jogar, se destacou tanto que e poucos meses se tornou líder do time juvenil de vôlei para deficientes.

A felicidade era inexplicável, ela sorria de orelha a orelha, pois pode sentir novamente o que sentia antes liderando e ajudando seu time e suas novas amigas.









Um comentário:

  1. Gostei muito do texto, apesar de poucas repetições no começo, achei muito legal e o final surpreendente. Houve também a falta de acentuação na palavra “pôde” umas duas vezes no texto, mas nada muito grave. Achei simplesmente perfeito! Parabéns.

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